terça-feira, 15 de setembro de 2009

45 lições que a vida me ensinou - Regina Brett

Regina Brett é colunista do The Plain Dealer, em Cleveland, Ohio. Sua coluna é publicada aos domingos, quartas e sextas-feiras.
A única coluna mais popular já escrita por Regina foi "50 Life Lessons", para o The Plain Dealer, quando completou 50 anos em 2006. Apesar de você já ter lido na internet, Regina não tem 90 anos. Foi finalista nas duas últimas edições do Prêmio Pulitzer - 2008 e 2009 - na categoria Comentário. Regina tem um programa na Rádio NPR 90,3 FM, em Cleveland, Ohio toda sexta-feira, das 9h05 - 10:00.



1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.

3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.

4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.

5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.

6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para descordar.

7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.

8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele aguenta.

9. Poupe para aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão

11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague seu presente.

12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.

14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.

15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.

16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.

17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeiroso.

18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.

19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de vocÊ e mais ninguém.

20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite não como resposta.

21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré...

23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém é responsável pela sua felicidade além de vocÊ.

26. Encare cada "chamado desastre" com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todos.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.

31. Indepedentemente se a situação é boa ou ruim, irá mudar.

32. Não se leve tão à sério. Ninguém mais leva...

33. Acredite em milagres.

34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo o que você fez ou deixou de fazer.

35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.

36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.

37. Seus filhos só têm uma infância.

38. Tudo o que realmente importa no final é que vocÊ amou.

39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos jogassemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.

41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor está por vir.

43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.

44. Produza.

45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Passeio Socrático

Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da
Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos,
recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu
observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera
cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos,
geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado
café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro
café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois
modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e
perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'.
Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais
tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que
tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura,
piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de
meditação!

Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente
equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis
livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de
ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas
me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho
ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha,
uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da
subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu
quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem
nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos
virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da
imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e
se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de
que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este
refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este
carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem
cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um
analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse
condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se
viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são
indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as
cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil,
constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos
shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas;
neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de
missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não
há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela
musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas
aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por
belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos
céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no
cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar,
certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na
eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o
mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares
espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de
descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando
vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas
observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

Uma Noticia que os Jornais Não Publicam

Uma imagem de John Gebhardt no Iraque



Esta é uma dura história de guerra , mas toca-nos no coração.


A esposa de John Gebhardt, Mindy, diz que toda a familia desta criança foi executada.Os exterminadores pretendiam também assassiná-la, não conseguiram mas mesmo assim atingiram- na sua cabecinha .
Encaminhada por John, ela foi tratada no Hospital e recupera-se bem , mas ainda chora e geme muito. As enfermeiras dizem que John é a única pessoa que consegue acalmá-la. Assim, John passou as últimas 4 noites segurando-a ao colo na cadeira, para que ela possa dormir. A menina tem recuperação gradual.
Eles tornaram-se verdadeiras "estrelas" da guerra. John representa o que o mundo ocidental gostaria de fazer e ser.
Isto, meus amigos, vale a pena compartilhar com o Mundo inteiro.Vamos a isso !
Nunca tomamos conhecimento de notícias dessa natureza pela TV ou nas mídias em geral.
Todos precisamos ter ciência de que pessoas como John fazem a diferença, a exemplo dessa pequena menina baleada na cabeça e com a triste sina de ter seus pais executados por uma guerra sem propósito humano.

"Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

As pessoas estão cultivando ídolos errados


Karla Christine
Psicóloga Clínica


"Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora. As pessoas estão cultivando ídolos errados. Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza? Concordo que suas letras são muito tocantes,
mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.
Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado. No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta.
São esses pais que devemos ter como exemplo?
Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma grande gravadora. Temos vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.
Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra,
um verdadeiro criminoso. Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.
Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar
que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.
Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada?Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
Como no comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.
Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido. Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissessem NÃO quando necessário?
Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor.
Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde.
A principal função dos pais é educar. Não se preocupem em ser amigo de seus filhos. Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi a pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre."


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cativar


"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira.
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste.
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho - Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem - Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo."


(O Pequeno Principe/Antoine De Saint-Exupery)

sábado, 1 de agosto de 2009

Netinho de Paula e minha decepção

Estava eu na ultima 5ª feira no ônibus, ouvindo o programa Transalouca na radio Transamerica. O programa vai ao ar de segunda a sexta das 12h às 13h (exceto São Paulo) e das 12h às 14h (para toda a Rede). O programa que traz situações inusitadas, discussões, notícias absurdas e quadros de humor. Além disso, rolam entrevistas com bandas, artistas e celebridades em evidência e ouvintes de todo o Brasil participam via e-mail e/ou telefone.
Ja ouvi algumas vezes e dependendo de quem é entrevistado, é muito bom. O com o Jorge Cajuru foi the best!
Bom, essa 5ª o entrevistado foi Netinho de Paula, o ex Negritude, o do programa que tem o quadro "Um dia de Princesa". Eu como gostava dele, parei p/ ouvir. Bom, primeiro, para quem não sabe, Netinho é vereador. Também sempre foi visto como o grande defensor do anti racismo, da igualdade (que não existe e jamais existirá [Graças a Deus!]). Ja entrou em brigas e varias discussões por isso.
Ate agora, nenhum grande alarme.
Acontece que logo no começo, Netinho foi perguntado da sua infância, e logo depois foi comparado ao Michael Jackson, pela infância pobre e difícil, e depois conseguir sucesso e dinheiro (achei a comparação esdrúxula, mas segui adiante p/ ver aonde ia dar). Eis que ele faz a declaração a qual eu além de ficar muito revoltada, me deixou triste, pois o ser humano ainda não aprendeu coisas básicas. Netinho diz que não achou errado o que o pai do Michael fez, que criança é naturalmente inquieta, e que ficar 8 horas por dia treinando é muito difícil, e ele tinha mesmo que ser rígido. E ainda teve a audácia de falar que Michael se transformou na estrela que era, pela disciplina do pai.
Juro que eu fiquei um tempo desacreditada com aquela declaração. Obviu que quando fui procurar no site do Transalouca a entrevista, essa declaração não estava lá:

"30/07/2009 - O cantor Netinho de Paula fala sobre seu programa e a história do quadro Um dia de Princesa que mais marcou

Texto: Isadora Carvalho
Fotos: Rafael Victorino

O programa do dia 30 de julho recebeu o apresentador e vereador Netinho de Paula. Ele veio falar sobre a carreira e seu programa “Show da Gente”, no SBT.

Logo no começo do programa, o Rudy perguntou como foi sua infância e se ele tem saudades dessa época.

“Eu era um daqueles moleques da estação de trem que vendia bala para ajudar em casa. Quanto a sentir saudades, acho que nunca sentimos falta de um período que passamos dificuldades. O importante é preservar as amizades daquele tempo”, contou Netinho.

O Fuzil perguntou: “Todos nós aqui sabemos o quanto você é dedicado as questões sociais e que inclusive mantêm uma instituição na COHAB de Carapicuíba, que já existe há 14 anos. Só você que a custeia?” e o Netinho afirmou que no começo, ele com a família Negritude ajudavam integralmente, mas nos últimos anos a prefeitura abraçou a causa e começou a investir.

Fuzil questionou também sobre a proibição da menina Maísa apresentar seu programa infantil.

“Sou contra a proibição do juizado em relação à Maísa, pois acredito que quando a criança tem realmente dom, isso não vai prejudicá-la”, comentou.

Fernandinha quis saber quando surgiu o projeto do programa “Show da Gente” e o apresentador disse que na verdade o novo projeto é uma roupagem mais atual do seu antigo programa na Record, “Domingo da Gente”, no qual esteve à frente por cinco anos.

Um ouvinte perguntou qual foi a história do quadro “Um dia de Princesa” que mais marcou?

“Uma vez fui para Angola. A menina que seria a minha princesa tinha sido internada com HIV. Fui ao hospital e a encontrei muito mal. Então parti em busca de outra princesa. Uma hora depois me ligaram, avisando o falecimento da menina. No domingo seguinte, a mãe dela participou do programa e trouxe uma foto da filha, o que me emocionou muito”, declarou.

E o Fábio, de São Paulo, perguntou como ele concilia a vida de cantor e apresentador com a de político.

“Graças a Deus, as pessoas que trabalham comigo são muito competentes. Lancei o CD “Juntos e Misturados” e no mês que vem vou tocar em Porto Alegre.” "

Obvio que essa declaração não seria incluída.

O mais absurdo p/ mim não foi ele ter concordado que o pai tinha feito certo, mas dizer que por causa dele que Michael se tornou estrela, p/ mim é demais! MICHAEL NASCEU ESTRELA, e o pai contribuiu apenas para os problemas psicológicos.

Pessoas publicas tem que tomar muito cuidado com o que falam. Netinho é um ídolo para muita gente. E o que ele disse nada mais foi que 'pais, sejam rigorosos com seus filhos, batam e espanquem para que eles sejam adultos melhores'.
O melhor foi que quando Netinho falou isso, senti que o estúdio ficou serio, calado, tenso, e logo passaram para o assunto da Maisa. O que depois ainda falou outra merda, que o que ela esta passando não vai prejudica-la. Eu digo: A gente conversa daqui a 10, 15 anos p/ ver o estrago.

Me decepcionei muito com Netinho, e espero que eu não tenha sido a unica.

We are the children - Elisa Lucinda


Quem me conhece sabe que não é do meu feitio batizar em outra língua uma publicação brasileira. Mas o título exerce dominação no meu peito esta semana em que fui mestre de cerimônia nos jardins do Palácio Guanabara, repleto de suas habituais autoridades e de cidadãos que raramente frequentam estes ares. Era lançamento nacional do programa Plataforma dos Centros Urbanos, uma iniciativa iluminada do Unicef, que viabiliza ações de desenvolvimento integral dos indivíduos nas cidades, a partir do olhar desta galera. São eles os GAL’s(Grupos Articuladores Locais)compostos de jovens que entrevistam, pesquisam sobre o que é vulnerável em sua comunidade, e conduzem a realização de prioridades e demandas de sua aldeia, digamos assim. Era também nesta tarde a posse de Lázaro Ramos, queridíssimo ator baiano, como embaixador do Unicef. Pois quando Marie Pierre, diretora do Unicef, me deu a palavra para que eu o homenageasse, a reflexão que tomou o proscênio de meu afeto foi a seguinte: no momento em que o mundo se despede precocemente de seu ídolo pop negro mais polêmico e criativo, este fato ganha novos recortes. Michael foi um menino abusado, explorado, castigado e mal criado pelo pai com a passiva e, não menos cruel, cumplicidade da mãe. E o pior, não só a sua aldeia, mas estas torpes histórias o mundo todo comentava. Um gênio maravilhoso, cuja infância foi roubada e cujo talento em vida sustentou aquela cambada, aquela mórbida e fria família, cujos olhos já brilham com os lucros da morte de seu gênio valiosíssimo. Um menino que ensinou ao mundo os passos da lua e era chamado de macaco pelo pai monstro com cara de cafetão escroto, morreu inseguro, infeliz, esfacelado nos trapos da palavra identidade, desfigurado, retalhado na face, frágil, doente, anoréxico e esbranquiçado, depois de ter sido o primeiro a, com sua música pioneira e única, unir as vozes brancas e negras na América e fora dela. O mundo testemunhou a tragédia de um mártir que inscreveu no corpo, na cara, nas bizarras atitudes no patético castelo de horrores da terra do nunca, as contradições, as injustiças, o racismo e a crueldade de uma nação chamada de primeiro mundo e de uma civilização omissa e equivocada. Esta morte pode ser um alerta. O menino violentado ainda pequeno, afanado em seu direito de ser criança, não cresceu e, o que nele cresceu, não gostou do que viu. A dependência crônica dos analgésicos grita em nossos ouvidos como lhe doía viver. Mas me pergunto por que um milionário que foi sacaneado na infância e impedido de se construir fora dos palcos, uma vez que a base de seus casamentos e relações pessoais parecia seguir as leis da ficção, por que este homem rico de grana e tão comprometido psicológica e emocionalmente, morreu sem tratamento adequado? Ser um homem de cinquenta anos, cheio de Mickeys e Peterpans pelas paredes de seu quarto, criar aquela face indescritível de batom sob um nariz sem cartilagem e sob olhos infantis muito tristes não era bizarro, era loucura. Ele estava dodói e poderia, com uma boa terapia e tratamento psiquiátrico, ter tido um outro destino onde seu talento pudesse realizar o mundo e a ele mesmo ainda mais, onde ele pudesse se libertar de vez daquele demônio paterno.
Meu Deus, e agora estava eu ali, diante de Lázaro, aquele brasileiro negro lindo, talentosíssimo, coerente em suas ações como artista, cidadão, solidário, antenado com suas responsabilidades neste mundão segregacionista, idealizador e apresentador de um programa chamado “Espelho”, e que, por isso mesmo dispensa explicações, egresso de um daqueles bairros pobres de Salvador mas que, dentro de toda a pobreza, foi criado como menino seguro, forte, amado pelo pais, ancorados no amor por si e pelos seus. Ouvi o discurso simples do jovem embaixador, sua brilhante inteligência sob cabelos muito bons e crespos, um sorriso luminoso e delicioso, com aquela mesma cara ensolarada do primeiro Michael, o menino de ouro do gupo Jackson Five, de nariz largo, voz linda, cheio de sonhos cantando I’ll be there.
Lázaro foi emblemático para mim naquela tarde de uma cerimônia patrocinada por uma instituição cujo foco, cuja mola mestra é a infância. Meus senhores, não há futuro possível sem uma infância e adolescência cuidadas. É uma conta que, geralmente, desanda. Ainda tem muito menino preto que cresce achando que só pode lhe sobrar ser “Triller” e “Bad”, ser preto e mau. O tema é amplo, toda criança, de qualquer tom ou origem social, merece uma opção de vida cidadã. Então, ao mesmo tempo em que meu coração chorava em luto por quem foi talvez a mais triste e genial criança americana, uma forte luz vinha daquela tarde representada em Lázaro, como a me dizer que novos tempos se anunciam. No momento em que a crise do mundo quebra as pernas da arrogância da razão, novas plataformas mais emocionais, mais humanas, mais responsáveis, surgem para dar a mão e novas saídas para o menino mundo; o que sempre é e sempre será feito de ex-crianças, de crianças que cresceram . Uma criança que não tem a infância roubada, pode envelhecer em paz, e, sem enlouquecer, viver pra sempre.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Masturbação Feminina


*por Margarita Aguinaga


Às vezes, a masturbação feminina é um tema do qual nos custa falar, é um tabu, um medo, a ser dito em voz baixa ou com um pseudônimo, uma quase agressão sexual para o ouvido, na qual se prima pela negação das mulheres e a sua incapacidade para reconhecer seu desejo sexual, que as diferencia dos objetos. Muitas vezes, esse tema está ausente no próprio diálogo feminista e na esquerda.


Sem deixar de considerar que a masturbação feminina poderá assumir as formas que se queira, a pergunta é: ela é importante no processo de assimilação da individualidade feminina e da luta por uma nova prática em que as mulheres possam experimentar- se e apropriar-se de seu corpo?


A masturbação feminina está invisível para a maioria das mulheres, assim como a sua capacidade de decidir, de falar, de trabalhar.Tem sido considerada de segunda ordem. Muitas vezes, a expectativa sexual de primeira ordem é o encontro sexual com um homem, porque a experiência sexual com um homem se transformou numa finalidade quase “absoluta”. A masturbação feminina, para algumas mulheres, existe somente para desafogar a solidão ou a falta de um homem, como se fosse o preenchimento do intervalo entre duas relações espaçadas.


Para a mulher, ter um espaço na cama, com sua solidão corporal e sexual, transforma-se em todo um processo: movimentos sexuais, tocar-se para romper a barreira do medo de fazê-lo e dizê-lo, o reconhecimento do imaginário, das sensações, dualidades, significados, barreiras difíceis de ultrapassar. Por exemplo, a posição difícil de mudar ante si mesma, as múltiplas opressões que se manifestam nas imagens que constroem sobre seu corpo. Finalmente, são linguagens extremamente importantes para dar significado e interpretar, para reconhecer a divisão sexual naquilo que é o centro da opressão sexual manifestada na construção psíquica, econômica, política, cultural, sexual, de seus desejos e seu corpo.

Não é só um montão de carícias no corpo, é um processo de luta por uma intimidade para a apropiação do corpo individual de cada mulher. Ainda que nos incomode escutar, a masturbação é o rincão onde começa a experiência auto-erótica e, para as mulheres, é um passo essencial em busca do seu amor próprio. É que a experiência “auto-erótica do máximo prazer feminino” por meio da masturbação, talvez possa permitir que as mulheres ocupem o território esvaziado de seu corpo, destinado ao domínio sexual dos outros. E, ao converter o desejo numa opção e não numa necessidade, poderia articular-se um processo de diferenciação emancipadora de sua sexualidade. Tornar-se outra, mas como indivíduo e com sua própria capacidade, auto-reconhecida em seu próprio poder sexual e em sua própria capacidade de decidir, além de reconhecer a beleza e a profundidade do corpo dos outros/outras. Nesse momento, poderia produzir-se o passo do desejo intenso ao amor profundo. É que esta experiência auto-erótica vai além de um impulso biológico do desejo; é, antes de tudo, humanizadora e criadora.


Há passos muito curtinhos entre o desejo profundo e o amor intenso. Mas as mulheres, às vezes, nem sequer chegam a saber o que significa. As mulheres foram castradas em suas exigências sexuais básicas. A cultura dominante instalou, nos corpos das mulheres, um cinto de castidade social que as oprime. E quando querem desabotoá-lo, os outros vociferam que é necessário parar essas possíveis irracionalidades femininas, advertem que as mulheres ficarão loucas e descontroladas. Então, para acalmá-las, é preciso devolvê-las ao poder masculino e submetê-las à sua autoridade.


Cabe construir uma ponte entre o processo de sensibilização sexual feminina como componente da sexualidade e a ação sensitiva e afetiva sexualizada. Cosntruir a masturbação feminina como o epicentro do prazer do corpo, de si mesma e de uma coletividade. Seria o espaço de autoexploração do desejo sexual individual, manifestado no diálogo da mulher com sua própria corporalidade, em prol de olhar a si mesma, sem esconder-se de si.


O feminismo tem dito que a autonomia das mulheres carece de um processo de individualização e transformação total da relação entre as e os outros. Cabe pensar que a masturbação feminina faz parte dessa exigência, dessa necessidade. A erótica feminina é um espaço de poder que permite levar adiante a diferença entre o masculino e o feminino, é a mulher encarada a partir de suas próprias práticas sexuais íntimas, questionadas socialmente e encarceradas no “privado femenino”, do qual só se atrevem a falar mal, ou do qual se ocupam os doutores para intervir desde a biologia, a medicina ou a psicologia. Ou, ainda, a igreja para decidir sobre a sexualidade de toda uma coletividade.


Tirada do baú das avós, não há nada mais belo que a masturbação feminina. Reconhecer a pele, as sensações, o próprio prazer, é uma fonte de vida e de amor próprio, é um ato de criação política. Se tratamos de liberdade, uma das liberdades mais importantes para as mulheres é o sentir a si mesma sem preconceitos, o contato com seus desejos, superando as barreiras patriarcais instaladas na consciência que lhe nega a satisfação sexual. A satisfação sexual feminina é a base da erótica feminista.


Como quase todas as demais, a masturbação feminina começa com o reconhecimento da experiência sexual construída com os e as outras. Poderíamos dizer que, na maioria das vezes, o masculino exerce uma importante construção da ideia da masturbação, porque o masculino é considerado o motivador sexual e gérmen da sexualidade feminina. A sexualidade masculina, numa sociedade patriarcal, cumpre o papel de “origem“ do prazer sexual até converter-se no concentrador e reprodutor das sexualidades femininas e masculinas como forma de poder. Si não fosse assim, o poder sexual exercido a partir de uma concepção falocêntrica, androcêntrica e heterossexual não seria tão profunda e difícil de superar.


Entretanto, a masturbação feminina está longe de ser um recurso complementar ao prazer feminino ou de busca de maior prazer feminino. Ela poderia ser considerada uma estratégia, uma nova maneira de relançar a sexualidade feminina, de aproximar-se do prazer por “decisão própria”, de ser a devolução do controle, do reencontro, do retorno à criatividade, à capacidade sexual e ao poder feminino a partir do corpo das próprias mulheres.


Desejar-se, querer-se, estimar-se, reconhecer-se en cada fantasia feminina, em cada partezinha da pele é simplesmente sentir-se por opção, é um passo à auto-identificação que pode ajudar a superar os olhares impositivos, o domínio de outros sobre o corpo das mulheres. Pode permitir avançar um passo: do “sou uma necessidade para outros” ou “necessito de outros” para “opto por mim misma”. A apropiação da opção por si mesma, dita em palavras, é importante. Significa um enfrentamento às repressões sexuais instaladas no inconsciente, na cultura e em todos os aspectos da vida humana.


Masturbar-se, decomposta a palavra e sem ir a nenhum dicionário, poderia significar mais-turbar- se, confundir-se mais. Logo, desse ponto de vista, poderia ter esse significado, já que a volta à masturbação feminina pode ser um caminho com dificuldades e muitas vezes doloroso. A desconstrução da ideia religiosa do “corpo sujo” e do “corpo puro” geraria, por si só, duras confrontações e dificuldades para o reencontro pessoal e social, pois o corpo feminino estaria destinado à santidade. A decisão de fazer com que “meu corpo faça o que quero”, gera uma contraposição entre o costume de “ fazer sempre o que os outros querem para satisfazê-los” e o de “ faço de mim um corpo para o prazer e a satisfação sexual por ação consciente de minha liberdade”. É toda uma batalha na qual nem sempre o resultado é a satisfação própria, a decisão própria, a luta pela liberdade plena.


Estes são aportes e carecem de muito mais elementos a serem construídos, pouco a pouco, a começar pelos próprios ouvidos. Desejar, tanto quanto amar a si mesma, é um passo vital rumo à desconstrução da terrível fragmentação do corpo feminino. Desejar e amar a outros e outras, em busca de uma satisfação não opressiva, é parte de um feminismo profundamente humano, que desencadeia, retorna ao erótico como prática sexual profundamente crítica e extremadamente amorosa. Desde as palavras justas que dizem sem medo, aqueles temas “esquecidos”, “tabus”, “perigosos”, “de segunda ordem” ou “não tão políticos para o estado, a família, as relações afetivas” como são os da descriminalização do aborto, as orientações sexuais, etc.


Sem dúvida, para assumir a liberdade sexual integral que é o feminismo, há que começar a falar e transformar aquilo que está oculto entre tantos mitos e proibições sexuais, “porque do nu se fala em público, com amor e respeito acerca do que é o mais íntimo e proibido do corpo: os desejos sexuais femininos”.


*Feminista equatoriana e membro do CADTM no Equador

Tradução: Tárzia Medeiros

sábado, 18 de julho de 2009

As Melhores Mulheres Pertencem Aos Homens Mais Atrevidos


Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados.
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

(Machado de Assis)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Exigente?

Hoje, estava eu conversando com um amigo no msn:

"Eu: Se liga, vc não tem nenhum amigo legal, engraçado, inteligente, gente boa p/ me apresentar não?
Ele: Ta muito exigente. Nenhum com todas essas qualificações."

Será? Pedi muito? Ou será que as pessoas estão se contentando com pouco? O que um homem precisar ser p/ estar com você? Por favor, não trocar os verbos 'ser' por 'ter'. São opostos nesse caso.

Você só passa a exigir do outro quando se valoriza. A frase ' Ame ao próximo como a ti mesmo' é exatamente isso. A sua valorização intima reflete na valorização p/ o outro. Só ama o outro quem se ama. Todos os sentimentos tem o começo em nós mesmos.

Dizem que nós mulheres somos mais exigentes que os homens. Tem até uma lista com tom de piada que roda na internet, com o que as mulheres querem e o que os homens querem. Na lista das mulheres tem uns 100 itens. Nos homens uns 3 ou 4. Eu discordo que as mulheres são mais exigentes (hoje em dia então! o que vejo de falta de exigência!!!). Acredito que as exigências são diferentes p/ o homem e p/ a mulher. Cada um na sua dificuldade de encontrar aquela pessoa especial.

Mas a verdade é que quando se trata do amor, não existe lista. Ele pode estar do seu lado (como diz o jota quest), ou pode ainda não ter aparecido. Mas ele só vai se revelar no outro quando começar em você...

domingo, 12 de julho de 2009

Verde


O verde tem uma forte afinidade com a natureza e nos conecta com ela, nos faz empatizar com os demais encontrando, de uma forma natural, as palavras justas.

É a cor que procuramos instintivamente quando estamos deprimidos ou acabamos de viver um trauma. O verde nos cria um sentimento de conforto e relaxação, de calma e paz interior, que nos faz sentir equilibrados interiormente.

Meditar com a cor verde é como tomar um calmante, para as emoções.

O verde escuro representa o princípio da morte e é indescritível. É a negação da vida e da alegria.

O verde lima ou o verde oliva podem ter um efeito prejudicial, tanto fisicamente como emocionalmente.

Quando se juntam o verde e o amarelo, podem despertar sentimentos de inveja, ressentimento e posse.

A cor verde está associada aos signos de Touro, Libra, Virgem, Capricórnio (verde-escuro), Aquário e Peixes (verde-mar).

Palavras chaves da cor verde: natureza, harmonia, crescimento, exuberancia, fertilidade, frescura, estabilidade, resistência. Verde escuro: dinheiro.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DIÁLOGOS SOBRE SOLIDÃO IV


Sabeis o que significa a solidão, estais cônscio dela? Duvido muito, porque todos nós vivemos mergulhados em nossas atividades, nos livros, relações, idéias, que nos impedem de estar cônscios da solidão. Que se entende por solidão? Uma sensação de estar vazio, de nada ter, de extraordinária incerteza, de não se estar ancorado em coisa alguma. Não é desespero, nem desesperança, mas um sentimento de vácuo, de vazio, de frustração. Todos nós, por certo, conhecemo-lo; os ditosos e os desditosos, os que trabalham muito e os que estudam muito — todos o conhecem. A sensação de uma dor real e persistente, dor que não pode ser abafada, por mais que tentemos abafá-la.
Acerquemo-nos mais uma vez deste problema, para vermos o que de fato ocorre, o que fazemos, quando nos sentimos sós. Procurais fugir ao vosso sentimento de solidão; tentais prosseguir, engolfando-vos num livro, seguindo um guia, indo ao cinema, cooperando diligentemente em obras sociais, ou pintando, ou praticando devoções e rezas ou escrevendo um poema sobre a solidão. Isso o que de fato se passa. Tornando-vos cônscios da solidão, da dor que ela causa, do temor extraordinário e insondável que a acompanha, buscais um meio de fuga, e este meio de fuga se torna mais importante do que tudo, sendo por isso que vossas atividades, vosso saber, vossos deuses, vossos rádios são tão importantes, não é verdade? Quando se dá importância a valores secundários, eles nos conduzem ao sofrimento e ao caos; os valores secundários são, necessariamente, valores dos sentidos; a civilização moderna, baseada que está nestes valores, proporciona-nos esses meios de fuga — fuga através de nossas ocupações, família, nome, estudos, a arte, etc.; toda nossa civilização está baseada nesta fuga, alicerçada nesta fuga. Isto é um fato.
Já tentastes alguma vez estar sós? Se o tentardes, vereis como isso é extraordinariamente difícil e quão inteligentes precisamos ser, para podermos estar sós, porquanto a mente não nos deixa estar sós. A mente se inquieta, recorrendo aos costumeiros meios de fuga, e, por conseguinte, que estamos fazendo? Estamos procurando preencher este vazio extraordinário com o conhecido. Achamos meios de estar ativos, de trabalhar para o bem-estar social. Estudamos. Ligamos o rádio. Estamos enchendo aquela coisa que não conhecemos, com as coisas que conhecemos. Tentamos preencher o vazio com conhecimentos variados, relações, coisas de toda ordem. Não é exato isso? É assim que funcionamos, assim que existimos. Ora bem, depois de reconhecerdes o que estais fazendo, pensais ainda que se pode encher aquele vazio? Já tentastes todos os meios de preencher o vazio da solidão. Conseguistes preenchê-lo? Tentastes o cinema, infrutiferamente, e agora saís no encalço dos gurus, ou vos entregais aos livros, ou vos tornais muito ativos, socialmente. Conseguistes preencher o vazio, ou apenas o tapastes? Se o tapastes apenas, ele continua a existir, e portanto, voltará. Se conseguis escapar-lhe de todo, sois trancados num hospício ou vos tornais extremamente embotados. É isso que está acontecendo no mundo.
Pode esse vazio, esse vácuo, ser preenchido? Se não, pode-se fugir dele, escapar-lhe? Se já experimentamos um meio de fuga e vimos que é sem valor, todos os outros meios de fuga não são também sem valor? Não importa que preenchais o vazio com isto ou com aquilo. A chamada meditação é também uma forma de fuga. Pouco adianta mudar o meio de fuga.
Como então, descobrir o que se deve fazer a respeito da solidão? Isso só se pode descobrir quando desistis de fugir, não achais? Quando estais dispostos a fazer frente ao que é — o que significa que não deveis ligar vosso rádio, o que significa que deveis voltar às costas à civilização — então a solidão chega ao seu fim, porque se transformou completamente; já não é solidão. Se compreendeis o que é, o que é, então, é o real. Porque está sempre ocupada em evitar, em fugir, em recusar-se a ver o que é, a mente cria seus próprios obstáculos. Temos tantos obstáculos que nos impedem de ver, que não compreendemos o que é e fugimos, por isso, da realidade. Todos esses obstáculos foram criados pela mente, para não ver o que é. Para ver o que é, torna-se necessária não só muita capacidade e muita vigilância de ação, mas, também, que volteis as costas a todas as coisas que construístes, ao vosso depósito no banco, ao vosso nome, e a tudo o que chamamos civilização. Quando se vê o que é, a solidão se transforma.

(Krishnamurti – A Primeira e a Última Liberdade – Ed. Cultrix)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Apenas por amar diferente



Puxa, você tem nojo de ver dois homens se beijando?
Eu tenho nojo de ver gente batendo em gente
de ver gente enganando gente
de ver gente matando gente
de ver gente passando fome
de ver gente negando direito de gente só por ser diferente.
Disso eu tenho muito nojo
mas você pode dizer o que pensa da homossexualide das pessoas...
é saudável falar o que pensa
desde que não desrespeite ninguém!
E já que você está tão aberto a discutir esse assunto (o que é louvável de sua parte)
eu te proponho que você tire um pouco o "casaco da moralidade"
e sem ideias prontas imagine como seria se você fosse gay
não tenha medo
imagine você se descobrindo ser uma coisa que não queria
e lembre-se que o mundo não está preparado pra gente diferente.
Tente se imaginar sentindo amor por outro ser humano
que infelizmente não é o ser humano do tipo que sua mãe sonhou
imagine a dor de ver que você vai ter que escolher entre sua felicidade ou a de seus pais
ou então viver escondido e com medo
levando uma vida frustada
ai você um dia é descoberto e é humilhado
negado e escurraçado
você está sozinho no mundo!
e não entende porque tem que ser assim
será que amar é algo assim tão errado?
será que você é tão ruim assim?
Quando você abraça seu amigo todo mundo acha fofo
mas se você beija seu amigo você é uma aberração?
Aí começa o preconceito
você é demitido
é xingado na rua por pessoas que você nem conhece
é alvo de piadas e fofocas
de repente você pensa ser um humano inferior...
só por amar diferente!
Pense nisso e tente se imaginar nessa situação
você vai ver que ninguém merece o seu "nojo"
vai sentir falta de dignidade e boa vontade
pense nisso!
Vai ser no mínimo interessante
fale o que pensa
mas pense!
Antes de disseminar apenas o que você ouviu a vida toda da boca de outros...
Pense!

(Não sei qual é a autoria)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A menina no país das maravilhas


Primeiro, para você ver esse filme, tem que não apenas gostar de 'Alice no País das Maravilhas', mas entender seus significados e simbolismos.

O filme apresenta maravilhosamente bem a Síndrome de Gilles de la Tourette. A síndrome está classificada entre os tiques crônicos, caracterizados por tiques motores múltiplos e um ou mais tiques vocais, embora não precisem ser simultâneos, são mais freqüentes em homens e respondem à psicofarmacoterapia.
Para quem gostaria de saber mais sobre: http://www.medstudents.com.br/caso/caso21/caso21.htm

Sinopse: Um fantástico filme, onde a realidade e os sonhos se encontram. Phoebe (Elle Fanning), é uma menina rejeitada pelos seus colegas de classe, que deseja mais do que tudo participar da peça de teatro da escola, Alice no País das Maravilhas. Com o estress do dia a dia, o comportamento de Phoebe piora cada vez mais criando uma forte pressão em seus pais Hillary (Felicity Huffman) e Peter (Bill Pullman). Ambos tentam compreender e ajudar a filha. Mas Phoebe se esconde em suas fantasias, confundindo realidade com sonho. A menina terá que encarar um duro, doloroso e emocionante processo, passando pela incrível transformação, como de uma lagarta que se torna uma bela borboleta.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

A solidão




Estou de frente com ela. Corri, tentei me esconder, mas eu aceitei o encontro. Ou era agora ou era depois. Preferi lidar com ela agora, para que no próximo encontro eu esteja mais preparada e saiba como lidar com ela.
Ela me assusta. Me traz um desconforto. Fico sem saber o que falar, fico sem saber o que pensar perto dela.
Ela tenta me dizer coisas que não entendo, fala baixo e é muito calma.
Ela encaixota os meus outros sentimentos.. Todos eles. Ela não some com eles, não os muda e nem os estraga. Ela apenas os guarda, p/ que a atenção seja totalmente voltada a ela. Talvez seja esse um dos grandes motivos dela me assustar tanto.
Ela pede silêncio, ela faz silêncio. Eu grito!
Eu choro... de medo... como criança com medo do escuro.
Ela pega a caixa dos meus sentimentos e tira, um por um... Pede p/ eu lidar com ele um de cada vez. Eu afobada, quero todos de volta. Ela nega e me obriga a lidar com alguem que me mete muito mais medo do que ela... Eu mesma...


(Ana Paula Fernandes Ventura)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mulheres que falam demais

Dizem que as mulheres falam demais. Não há o que contestar, falamos pelos cotovelos, nos encontros com as amigas, nas reuniões familiares, ao telefone e nos aniversários, nas mesas de restaurantes e no salão de beleza, falamos. Puxamos conversa com a vizinha no elevador, discutimos o horror que está o preço das coisas, enfim, não ficamos nunca quietas, ao que parece. Mas nem tudo é o que parece. Mulheres gastam palavras à toa, mas economizam suas verdades mais uterinas. O que lhes grita dentro, não sai pela boca nem sussurrado. Não que tenhamos muito a esconder, mas temos muito a proteger: nossas contradições, nossas aflições, aqueles sentimentos todos que não são verbalizáveis. Mulheres calam demais. Calam mais do que homens, talvez por terem muito mais questionamentos, por serem mais ansiosas, por estarem sempre em estado de alerta, calamos o que nos perturba.

Homens são calados porque conseguem lidar melhor com o que lhes vai dentro, não se angustiam tanto, aceitam com mais resignação a vida que lhes foi oferecida ou a vida que conquistaram. Mulheres estão sempre pensando, colecionam interrogações: por que? e se? como seria? Sendo assim, tendo tanto a dizer e não dizendo nem metade do que nos corrói, calamos mais que todos, sim, mesmo falando e falando e falando. Bendito truque: falar para calar. Puxar os mais variados assuntos como meio de preservar o diálogo interior, para não macular nossa conversa com a gente mesmo, que ninguém deve ouvir. Falamos, aqui fora, de moda, novela, política, falamos umas das outras, acusamos e defendemos, falamos, falamos, discutimos as relações todas, com ele, com os pais, com os outros, interrompemos quando alguém opina, concluímos frases que nem são nossas: tudo porque mulheres em silêncio são perigosas. Muito mais do que quando falam. Mulheres em silêncio estão sempre tramando contra si mesmas.


(Martha Medeiros)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar.

Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempr e ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.



(Dizem que a autoria é do Paulo Coelho, e ele negou. Falam também de Fernando
Pessoa, mas sem confirmação. Mas o texto é bom, independente de quem o escreveu.)



terça-feira, 9 de junho de 2009

Abri Os Olhos

Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei
Só não sei viver
Sem querer ser
Mais do que sou.

O fato é o ato da procura
E a cura não resiste só
O que era certo
Eu descobri
Nem sempre era o melhor

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Não sei afastar
A dor de saber
Que o saber não há
Só não sei dizer
Se esse meu ver
Se pode explicar

Enquanto eu penso
Tanto entendo
Que é mais fácil
Não pensar
O que era certo
Eu aprendi
A sempre questionar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar


Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar


(Composição: Lucas Lima/Tatiana Parra/Otavio)

TPM



(
Mara Diegoli é médica, trabalha no Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas e é coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com Tensão Pré-Menstrual do Hospital das Clínicas da Universidade São Paulo.)


"Tensão pré-menstrual, ou TPM, é um tema que interessa não só às mulheres, mas aos homens, especialmente. Ela se caracteriza por um conjunto de sintomas e sinais que se manifesta um pouco antes da menstruação e desaparece com ela. Se eles persistirem, não se trata da síndrome de TPM, que está diretamente relacionada com a produção dos hormônios femininos.
Do ponto de vista dos hormônios sexuais, os homens são muito mais simples do que as mulheres. Eles fabricam testosterona cuja produção começa a cair inexorável e lentamente a partir dos 20, 30 anos de idade. As transformações que essa queda provoca no humor masculino são, de certa forma, previsíveis e é por isso que as mulheres dizem que os homens são todos iguais.
Com elas, é diferente. A concentração dos hormônios sexuais varia no decorrer do ciclo menstrual. Assim que termina a menstruação, tem início a produção de estrógeno, que atinge seu pico ao redor do 14º dia do ciclo, quando começa a cair e a aumentar a produção de progesterona. O nível desses dois hormônios, porém, praticamente chega a zero durante a menstruação.
Portanto, em cada dia do mês, a mulher tem uma concentração de hormônios sexuais diferente da do dia anterior e diferente da do dia seguinte. O impacto que isso provoca no humor feminino também oscila de um dia para o outro. Por isso, os homens dizem que as mulheres são difíceis de entender."



segunda-feira, 1 de junho de 2009

O que eu quero

Eu tive que dormir p/ pensar. Pois é, eu tive que sonhar p/ pensar, eu tive que acordar com aquela sensação de peso, de angustia, de querer voltar a dormir pra acordar diferente. Acho que é isso que muitas vezes penso antes de dormir: 'amanha vou acordar diferente'. Muitas vezes acordo pior. Essa sensação de algo inacabado, não 100% terminado acaba comigo. Me desgasta.
Mas o que eu quero? Eu quero ser amada não apenas com palavras, quero ser beijada com paixão todos os encontros, quero ser abraça com carinho todas as vezes que estiver triste, quero ser elogiada todas as manhas, quero receber um sorriso aberto quando for vista de longe, quero escutar sussurros de amor no meu ouvido antes de dormir, quero receber ligações do nada p/ me lembrar que sou querida, quero ligar e perceber o sorriso do outro lado, quero chorar por saudade sabendo que o outro também chora pelo mesmo, quero dar gargalhadas altas, quero andar na rua de mão dada orgulhosa, quero dançar junto ate as 5 da manha, quero ouvir uma musica no radio e receber uma ligação no meio dela com a frase 'to ouvindo a nossa musica', quero amar...