segunda-feira, 20 de julho de 2009

Masturbação Feminina


*por Margarita Aguinaga


Às vezes, a masturbação feminina é um tema do qual nos custa falar, é um tabu, um medo, a ser dito em voz baixa ou com um pseudônimo, uma quase agressão sexual para o ouvido, na qual se prima pela negação das mulheres e a sua incapacidade para reconhecer seu desejo sexual, que as diferencia dos objetos. Muitas vezes, esse tema está ausente no próprio diálogo feminista e na esquerda.


Sem deixar de considerar que a masturbação feminina poderá assumir as formas que se queira, a pergunta é: ela é importante no processo de assimilação da individualidade feminina e da luta por uma nova prática em que as mulheres possam experimentar- se e apropriar-se de seu corpo?


A masturbação feminina está invisível para a maioria das mulheres, assim como a sua capacidade de decidir, de falar, de trabalhar.Tem sido considerada de segunda ordem. Muitas vezes, a expectativa sexual de primeira ordem é o encontro sexual com um homem, porque a experiência sexual com um homem se transformou numa finalidade quase “absoluta”. A masturbação feminina, para algumas mulheres, existe somente para desafogar a solidão ou a falta de um homem, como se fosse o preenchimento do intervalo entre duas relações espaçadas.


Para a mulher, ter um espaço na cama, com sua solidão corporal e sexual, transforma-se em todo um processo: movimentos sexuais, tocar-se para romper a barreira do medo de fazê-lo e dizê-lo, o reconhecimento do imaginário, das sensações, dualidades, significados, barreiras difíceis de ultrapassar. Por exemplo, a posição difícil de mudar ante si mesma, as múltiplas opressões que se manifestam nas imagens que constroem sobre seu corpo. Finalmente, são linguagens extremamente importantes para dar significado e interpretar, para reconhecer a divisão sexual naquilo que é o centro da opressão sexual manifestada na construção psíquica, econômica, política, cultural, sexual, de seus desejos e seu corpo.

Não é só um montão de carícias no corpo, é um processo de luta por uma intimidade para a apropiação do corpo individual de cada mulher. Ainda que nos incomode escutar, a masturbação é o rincão onde começa a experiência auto-erótica e, para as mulheres, é um passo essencial em busca do seu amor próprio. É que a experiência “auto-erótica do máximo prazer feminino” por meio da masturbação, talvez possa permitir que as mulheres ocupem o território esvaziado de seu corpo, destinado ao domínio sexual dos outros. E, ao converter o desejo numa opção e não numa necessidade, poderia articular-se um processo de diferenciação emancipadora de sua sexualidade. Tornar-se outra, mas como indivíduo e com sua própria capacidade, auto-reconhecida em seu próprio poder sexual e em sua própria capacidade de decidir, além de reconhecer a beleza e a profundidade do corpo dos outros/outras. Nesse momento, poderia produzir-se o passo do desejo intenso ao amor profundo. É que esta experiência auto-erótica vai além de um impulso biológico do desejo; é, antes de tudo, humanizadora e criadora.


Há passos muito curtinhos entre o desejo profundo e o amor intenso. Mas as mulheres, às vezes, nem sequer chegam a saber o que significa. As mulheres foram castradas em suas exigências sexuais básicas. A cultura dominante instalou, nos corpos das mulheres, um cinto de castidade social que as oprime. E quando querem desabotoá-lo, os outros vociferam que é necessário parar essas possíveis irracionalidades femininas, advertem que as mulheres ficarão loucas e descontroladas. Então, para acalmá-las, é preciso devolvê-las ao poder masculino e submetê-las à sua autoridade.


Cabe construir uma ponte entre o processo de sensibilização sexual feminina como componente da sexualidade e a ação sensitiva e afetiva sexualizada. Cosntruir a masturbação feminina como o epicentro do prazer do corpo, de si mesma e de uma coletividade. Seria o espaço de autoexploração do desejo sexual individual, manifestado no diálogo da mulher com sua própria corporalidade, em prol de olhar a si mesma, sem esconder-se de si.


O feminismo tem dito que a autonomia das mulheres carece de um processo de individualização e transformação total da relação entre as e os outros. Cabe pensar que a masturbação feminina faz parte dessa exigência, dessa necessidade. A erótica feminina é um espaço de poder que permite levar adiante a diferença entre o masculino e o feminino, é a mulher encarada a partir de suas próprias práticas sexuais íntimas, questionadas socialmente e encarceradas no “privado femenino”, do qual só se atrevem a falar mal, ou do qual se ocupam os doutores para intervir desde a biologia, a medicina ou a psicologia. Ou, ainda, a igreja para decidir sobre a sexualidade de toda uma coletividade.


Tirada do baú das avós, não há nada mais belo que a masturbação feminina. Reconhecer a pele, as sensações, o próprio prazer, é uma fonte de vida e de amor próprio, é um ato de criação política. Se tratamos de liberdade, uma das liberdades mais importantes para as mulheres é o sentir a si mesma sem preconceitos, o contato com seus desejos, superando as barreiras patriarcais instaladas na consciência que lhe nega a satisfação sexual. A satisfação sexual feminina é a base da erótica feminista.


Como quase todas as demais, a masturbação feminina começa com o reconhecimento da experiência sexual construída com os e as outras. Poderíamos dizer que, na maioria das vezes, o masculino exerce uma importante construção da ideia da masturbação, porque o masculino é considerado o motivador sexual e gérmen da sexualidade feminina. A sexualidade masculina, numa sociedade patriarcal, cumpre o papel de “origem“ do prazer sexual até converter-se no concentrador e reprodutor das sexualidades femininas e masculinas como forma de poder. Si não fosse assim, o poder sexual exercido a partir de uma concepção falocêntrica, androcêntrica e heterossexual não seria tão profunda e difícil de superar.


Entretanto, a masturbação feminina está longe de ser um recurso complementar ao prazer feminino ou de busca de maior prazer feminino. Ela poderia ser considerada uma estratégia, uma nova maneira de relançar a sexualidade feminina, de aproximar-se do prazer por “decisão própria”, de ser a devolução do controle, do reencontro, do retorno à criatividade, à capacidade sexual e ao poder feminino a partir do corpo das próprias mulheres.


Desejar-se, querer-se, estimar-se, reconhecer-se en cada fantasia feminina, em cada partezinha da pele é simplesmente sentir-se por opção, é um passo à auto-identificação que pode ajudar a superar os olhares impositivos, o domínio de outros sobre o corpo das mulheres. Pode permitir avançar um passo: do “sou uma necessidade para outros” ou “necessito de outros” para “opto por mim misma”. A apropiação da opção por si mesma, dita em palavras, é importante. Significa um enfrentamento às repressões sexuais instaladas no inconsciente, na cultura e em todos os aspectos da vida humana.


Masturbar-se, decomposta a palavra e sem ir a nenhum dicionário, poderia significar mais-turbar- se, confundir-se mais. Logo, desse ponto de vista, poderia ter esse significado, já que a volta à masturbação feminina pode ser um caminho com dificuldades e muitas vezes doloroso. A desconstrução da ideia religiosa do “corpo sujo” e do “corpo puro” geraria, por si só, duras confrontações e dificuldades para o reencontro pessoal e social, pois o corpo feminino estaria destinado à santidade. A decisão de fazer com que “meu corpo faça o que quero”, gera uma contraposição entre o costume de “ fazer sempre o que os outros querem para satisfazê-los” e o de “ faço de mim um corpo para o prazer e a satisfação sexual por ação consciente de minha liberdade”. É toda uma batalha na qual nem sempre o resultado é a satisfação própria, a decisão própria, a luta pela liberdade plena.


Estes são aportes e carecem de muito mais elementos a serem construídos, pouco a pouco, a começar pelos próprios ouvidos. Desejar, tanto quanto amar a si mesma, é um passo vital rumo à desconstrução da terrível fragmentação do corpo feminino. Desejar e amar a outros e outras, em busca de uma satisfação não opressiva, é parte de um feminismo profundamente humano, que desencadeia, retorna ao erótico como prática sexual profundamente crítica e extremadamente amorosa. Desde as palavras justas que dizem sem medo, aqueles temas “esquecidos”, “tabus”, “perigosos”, “de segunda ordem” ou “não tão políticos para o estado, a família, as relações afetivas” como são os da descriminalização do aborto, as orientações sexuais, etc.


Sem dúvida, para assumir a liberdade sexual integral que é o feminismo, há que começar a falar e transformar aquilo que está oculto entre tantos mitos e proibições sexuais, “porque do nu se fala em público, com amor e respeito acerca do que é o mais íntimo e proibido do corpo: os desejos sexuais femininos”.


*Feminista equatoriana e membro do CADTM no Equador

Tradução: Tárzia Medeiros

sábado, 18 de julho de 2009

As Melhores Mulheres Pertencem Aos Homens Mais Atrevidos


Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados.
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

(Machado de Assis)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Exigente?

Hoje, estava eu conversando com um amigo no msn:

"Eu: Se liga, vc não tem nenhum amigo legal, engraçado, inteligente, gente boa p/ me apresentar não?
Ele: Ta muito exigente. Nenhum com todas essas qualificações."

Será? Pedi muito? Ou será que as pessoas estão se contentando com pouco? O que um homem precisar ser p/ estar com você? Por favor, não trocar os verbos 'ser' por 'ter'. São opostos nesse caso.

Você só passa a exigir do outro quando se valoriza. A frase ' Ame ao próximo como a ti mesmo' é exatamente isso. A sua valorização intima reflete na valorização p/ o outro. Só ama o outro quem se ama. Todos os sentimentos tem o começo em nós mesmos.

Dizem que nós mulheres somos mais exigentes que os homens. Tem até uma lista com tom de piada que roda na internet, com o que as mulheres querem e o que os homens querem. Na lista das mulheres tem uns 100 itens. Nos homens uns 3 ou 4. Eu discordo que as mulheres são mais exigentes (hoje em dia então! o que vejo de falta de exigência!!!). Acredito que as exigências são diferentes p/ o homem e p/ a mulher. Cada um na sua dificuldade de encontrar aquela pessoa especial.

Mas a verdade é que quando se trata do amor, não existe lista. Ele pode estar do seu lado (como diz o jota quest), ou pode ainda não ter aparecido. Mas ele só vai se revelar no outro quando começar em você...

domingo, 12 de julho de 2009

Verde


O verde tem uma forte afinidade com a natureza e nos conecta com ela, nos faz empatizar com os demais encontrando, de uma forma natural, as palavras justas.

É a cor que procuramos instintivamente quando estamos deprimidos ou acabamos de viver um trauma. O verde nos cria um sentimento de conforto e relaxação, de calma e paz interior, que nos faz sentir equilibrados interiormente.

Meditar com a cor verde é como tomar um calmante, para as emoções.

O verde escuro representa o princípio da morte e é indescritível. É a negação da vida e da alegria.

O verde lima ou o verde oliva podem ter um efeito prejudicial, tanto fisicamente como emocionalmente.

Quando se juntam o verde e o amarelo, podem despertar sentimentos de inveja, ressentimento e posse.

A cor verde está associada aos signos de Touro, Libra, Virgem, Capricórnio (verde-escuro), Aquário e Peixes (verde-mar).

Palavras chaves da cor verde: natureza, harmonia, crescimento, exuberancia, fertilidade, frescura, estabilidade, resistência. Verde escuro: dinheiro.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DIÁLOGOS SOBRE SOLIDÃO IV


Sabeis o que significa a solidão, estais cônscio dela? Duvido muito, porque todos nós vivemos mergulhados em nossas atividades, nos livros, relações, idéias, que nos impedem de estar cônscios da solidão. Que se entende por solidão? Uma sensação de estar vazio, de nada ter, de extraordinária incerteza, de não se estar ancorado em coisa alguma. Não é desespero, nem desesperança, mas um sentimento de vácuo, de vazio, de frustração. Todos nós, por certo, conhecemo-lo; os ditosos e os desditosos, os que trabalham muito e os que estudam muito — todos o conhecem. A sensação de uma dor real e persistente, dor que não pode ser abafada, por mais que tentemos abafá-la.
Acerquemo-nos mais uma vez deste problema, para vermos o que de fato ocorre, o que fazemos, quando nos sentimos sós. Procurais fugir ao vosso sentimento de solidão; tentais prosseguir, engolfando-vos num livro, seguindo um guia, indo ao cinema, cooperando diligentemente em obras sociais, ou pintando, ou praticando devoções e rezas ou escrevendo um poema sobre a solidão. Isso o que de fato se passa. Tornando-vos cônscios da solidão, da dor que ela causa, do temor extraordinário e insondável que a acompanha, buscais um meio de fuga, e este meio de fuga se torna mais importante do que tudo, sendo por isso que vossas atividades, vosso saber, vossos deuses, vossos rádios são tão importantes, não é verdade? Quando se dá importância a valores secundários, eles nos conduzem ao sofrimento e ao caos; os valores secundários são, necessariamente, valores dos sentidos; a civilização moderna, baseada que está nestes valores, proporciona-nos esses meios de fuga — fuga através de nossas ocupações, família, nome, estudos, a arte, etc.; toda nossa civilização está baseada nesta fuga, alicerçada nesta fuga. Isto é um fato.
Já tentastes alguma vez estar sós? Se o tentardes, vereis como isso é extraordinariamente difícil e quão inteligentes precisamos ser, para podermos estar sós, porquanto a mente não nos deixa estar sós. A mente se inquieta, recorrendo aos costumeiros meios de fuga, e, por conseguinte, que estamos fazendo? Estamos procurando preencher este vazio extraordinário com o conhecido. Achamos meios de estar ativos, de trabalhar para o bem-estar social. Estudamos. Ligamos o rádio. Estamos enchendo aquela coisa que não conhecemos, com as coisas que conhecemos. Tentamos preencher o vazio com conhecimentos variados, relações, coisas de toda ordem. Não é exato isso? É assim que funcionamos, assim que existimos. Ora bem, depois de reconhecerdes o que estais fazendo, pensais ainda que se pode encher aquele vazio? Já tentastes todos os meios de preencher o vazio da solidão. Conseguistes preenchê-lo? Tentastes o cinema, infrutiferamente, e agora saís no encalço dos gurus, ou vos entregais aos livros, ou vos tornais muito ativos, socialmente. Conseguistes preencher o vazio, ou apenas o tapastes? Se o tapastes apenas, ele continua a existir, e portanto, voltará. Se conseguis escapar-lhe de todo, sois trancados num hospício ou vos tornais extremamente embotados. É isso que está acontecendo no mundo.
Pode esse vazio, esse vácuo, ser preenchido? Se não, pode-se fugir dele, escapar-lhe? Se já experimentamos um meio de fuga e vimos que é sem valor, todos os outros meios de fuga não são também sem valor? Não importa que preenchais o vazio com isto ou com aquilo. A chamada meditação é também uma forma de fuga. Pouco adianta mudar o meio de fuga.
Como então, descobrir o que se deve fazer a respeito da solidão? Isso só se pode descobrir quando desistis de fugir, não achais? Quando estais dispostos a fazer frente ao que é — o que significa que não deveis ligar vosso rádio, o que significa que deveis voltar às costas à civilização — então a solidão chega ao seu fim, porque se transformou completamente; já não é solidão. Se compreendeis o que é, o que é, então, é o real. Porque está sempre ocupada em evitar, em fugir, em recusar-se a ver o que é, a mente cria seus próprios obstáculos. Temos tantos obstáculos que nos impedem de ver, que não compreendemos o que é e fugimos, por isso, da realidade. Todos esses obstáculos foram criados pela mente, para não ver o que é. Para ver o que é, torna-se necessária não só muita capacidade e muita vigilância de ação, mas, também, que volteis as costas a todas as coisas que construístes, ao vosso depósito no banco, ao vosso nome, e a tudo o que chamamos civilização. Quando se vê o que é, a solidão se transforma.

(Krishnamurti – A Primeira e a Última Liberdade – Ed. Cultrix)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Apenas por amar diferente



Puxa, você tem nojo de ver dois homens se beijando?
Eu tenho nojo de ver gente batendo em gente
de ver gente enganando gente
de ver gente matando gente
de ver gente passando fome
de ver gente negando direito de gente só por ser diferente.
Disso eu tenho muito nojo
mas você pode dizer o que pensa da homossexualide das pessoas...
é saudável falar o que pensa
desde que não desrespeite ninguém!
E já que você está tão aberto a discutir esse assunto (o que é louvável de sua parte)
eu te proponho que você tire um pouco o "casaco da moralidade"
e sem ideias prontas imagine como seria se você fosse gay
não tenha medo
imagine você se descobrindo ser uma coisa que não queria
e lembre-se que o mundo não está preparado pra gente diferente.
Tente se imaginar sentindo amor por outro ser humano
que infelizmente não é o ser humano do tipo que sua mãe sonhou
imagine a dor de ver que você vai ter que escolher entre sua felicidade ou a de seus pais
ou então viver escondido e com medo
levando uma vida frustada
ai você um dia é descoberto e é humilhado
negado e escurraçado
você está sozinho no mundo!
e não entende porque tem que ser assim
será que amar é algo assim tão errado?
será que você é tão ruim assim?
Quando você abraça seu amigo todo mundo acha fofo
mas se você beija seu amigo você é uma aberração?
Aí começa o preconceito
você é demitido
é xingado na rua por pessoas que você nem conhece
é alvo de piadas e fofocas
de repente você pensa ser um humano inferior...
só por amar diferente!
Pense nisso e tente se imaginar nessa situação
você vai ver que ninguém merece o seu "nojo"
vai sentir falta de dignidade e boa vontade
pense nisso!
Vai ser no mínimo interessante
fale o que pensa
mas pense!
Antes de disseminar apenas o que você ouviu a vida toda da boca de outros...
Pense!

(Não sei qual é a autoria)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A menina no país das maravilhas


Primeiro, para você ver esse filme, tem que não apenas gostar de 'Alice no País das Maravilhas', mas entender seus significados e simbolismos.

O filme apresenta maravilhosamente bem a Síndrome de Gilles de la Tourette. A síndrome está classificada entre os tiques crônicos, caracterizados por tiques motores múltiplos e um ou mais tiques vocais, embora não precisem ser simultâneos, são mais freqüentes em homens e respondem à psicofarmacoterapia.
Para quem gostaria de saber mais sobre: http://www.medstudents.com.br/caso/caso21/caso21.htm

Sinopse: Um fantástico filme, onde a realidade e os sonhos se encontram. Phoebe (Elle Fanning), é uma menina rejeitada pelos seus colegas de classe, que deseja mais do que tudo participar da peça de teatro da escola, Alice no País das Maravilhas. Com o estress do dia a dia, o comportamento de Phoebe piora cada vez mais criando uma forte pressão em seus pais Hillary (Felicity Huffman) e Peter (Bill Pullman). Ambos tentam compreender e ajudar a filha. Mas Phoebe se esconde em suas fantasias, confundindo realidade com sonho. A menina terá que encarar um duro, doloroso e emocionante processo, passando pela incrível transformação, como de uma lagarta que se torna uma bela borboleta.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

A solidão




Estou de frente com ela. Corri, tentei me esconder, mas eu aceitei o encontro. Ou era agora ou era depois. Preferi lidar com ela agora, para que no próximo encontro eu esteja mais preparada e saiba como lidar com ela.
Ela me assusta. Me traz um desconforto. Fico sem saber o que falar, fico sem saber o que pensar perto dela.
Ela tenta me dizer coisas que não entendo, fala baixo e é muito calma.
Ela encaixota os meus outros sentimentos.. Todos eles. Ela não some com eles, não os muda e nem os estraga. Ela apenas os guarda, p/ que a atenção seja totalmente voltada a ela. Talvez seja esse um dos grandes motivos dela me assustar tanto.
Ela pede silêncio, ela faz silêncio. Eu grito!
Eu choro... de medo... como criança com medo do escuro.
Ela pega a caixa dos meus sentimentos e tira, um por um... Pede p/ eu lidar com ele um de cada vez. Eu afobada, quero todos de volta. Ela nega e me obriga a lidar com alguem que me mete muito mais medo do que ela... Eu mesma...


(Ana Paula Fernandes Ventura)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mulheres que falam demais

Dizem que as mulheres falam demais. Não há o que contestar, falamos pelos cotovelos, nos encontros com as amigas, nas reuniões familiares, ao telefone e nos aniversários, nas mesas de restaurantes e no salão de beleza, falamos. Puxamos conversa com a vizinha no elevador, discutimos o horror que está o preço das coisas, enfim, não ficamos nunca quietas, ao que parece. Mas nem tudo é o que parece. Mulheres gastam palavras à toa, mas economizam suas verdades mais uterinas. O que lhes grita dentro, não sai pela boca nem sussurrado. Não que tenhamos muito a esconder, mas temos muito a proteger: nossas contradições, nossas aflições, aqueles sentimentos todos que não são verbalizáveis. Mulheres calam demais. Calam mais do que homens, talvez por terem muito mais questionamentos, por serem mais ansiosas, por estarem sempre em estado de alerta, calamos o que nos perturba.

Homens são calados porque conseguem lidar melhor com o que lhes vai dentro, não se angustiam tanto, aceitam com mais resignação a vida que lhes foi oferecida ou a vida que conquistaram. Mulheres estão sempre pensando, colecionam interrogações: por que? e se? como seria? Sendo assim, tendo tanto a dizer e não dizendo nem metade do que nos corrói, calamos mais que todos, sim, mesmo falando e falando e falando. Bendito truque: falar para calar. Puxar os mais variados assuntos como meio de preservar o diálogo interior, para não macular nossa conversa com a gente mesmo, que ninguém deve ouvir. Falamos, aqui fora, de moda, novela, política, falamos umas das outras, acusamos e defendemos, falamos, falamos, discutimos as relações todas, com ele, com os pais, com os outros, interrompemos quando alguém opina, concluímos frases que nem são nossas: tudo porque mulheres em silêncio são perigosas. Muito mais do que quando falam. Mulheres em silêncio estão sempre tramando contra si mesmas.


(Martha Medeiros)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar.

Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempr e ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.



(Dizem que a autoria é do Paulo Coelho, e ele negou. Falam também de Fernando
Pessoa, mas sem confirmação. Mas o texto é bom, independente de quem o escreveu.)



terça-feira, 9 de junho de 2009

Abri Os Olhos

Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei
Só não sei viver
Sem querer ser
Mais do que sou.

O fato é o ato da procura
E a cura não resiste só
O que era certo
Eu descobri
Nem sempre era o melhor

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Não sei afastar
A dor de saber
Que o saber não há
Só não sei dizer
Se esse meu ver
Se pode explicar

Enquanto eu penso
Tanto entendo
Que é mais fácil
Não pensar
O que era certo
Eu aprendi
A sempre questionar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar


Sei
Mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar


(Composição: Lucas Lima/Tatiana Parra/Otavio)

TPM



(
Mara Diegoli é médica, trabalha no Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas e é coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com Tensão Pré-Menstrual do Hospital das Clínicas da Universidade São Paulo.)


"Tensão pré-menstrual, ou TPM, é um tema que interessa não só às mulheres, mas aos homens, especialmente. Ela se caracteriza por um conjunto de sintomas e sinais que se manifesta um pouco antes da menstruação e desaparece com ela. Se eles persistirem, não se trata da síndrome de TPM, que está diretamente relacionada com a produção dos hormônios femininos.
Do ponto de vista dos hormônios sexuais, os homens são muito mais simples do que as mulheres. Eles fabricam testosterona cuja produção começa a cair inexorável e lentamente a partir dos 20, 30 anos de idade. As transformações que essa queda provoca no humor masculino são, de certa forma, previsíveis e é por isso que as mulheres dizem que os homens são todos iguais.
Com elas, é diferente. A concentração dos hormônios sexuais varia no decorrer do ciclo menstrual. Assim que termina a menstruação, tem início a produção de estrógeno, que atinge seu pico ao redor do 14º dia do ciclo, quando começa a cair e a aumentar a produção de progesterona. O nível desses dois hormônios, porém, praticamente chega a zero durante a menstruação.
Portanto, em cada dia do mês, a mulher tem uma concentração de hormônios sexuais diferente da do dia anterior e diferente da do dia seguinte. O impacto que isso provoca no humor feminino também oscila de um dia para o outro. Por isso, os homens dizem que as mulheres são difíceis de entender."



segunda-feira, 1 de junho de 2009

O que eu quero

Eu tive que dormir p/ pensar. Pois é, eu tive que sonhar p/ pensar, eu tive que acordar com aquela sensação de peso, de angustia, de querer voltar a dormir pra acordar diferente. Acho que é isso que muitas vezes penso antes de dormir: 'amanha vou acordar diferente'. Muitas vezes acordo pior. Essa sensação de algo inacabado, não 100% terminado acaba comigo. Me desgasta.
Mas o que eu quero? Eu quero ser amada não apenas com palavras, quero ser beijada com paixão todos os encontros, quero ser abraça com carinho todas as vezes que estiver triste, quero ser elogiada todas as manhas, quero receber um sorriso aberto quando for vista de longe, quero escutar sussurros de amor no meu ouvido antes de dormir, quero receber ligações do nada p/ me lembrar que sou querida, quero ligar e perceber o sorriso do outro lado, quero chorar por saudade sabendo que o outro também chora pelo mesmo, quero dar gargalhadas altas, quero andar na rua de mão dada orgulhosa, quero dançar junto ate as 5 da manha, quero ouvir uma musica no radio e receber uma ligação no meio dela com a frase 'to ouvindo a nossa musica', quero amar...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Silvio Santos incentivando um ensino de merda!


Silvio Santos ensina o que NÃO se deve fazer com criança. Maisa pode parecer uma adulta no corpo de uma criança, MAS NÃO É! Silvio Santos bate, agride verbalmente, brinxca de forma nada instrutiva (muito pelo contrario), incentiva a fofoca... Mas a culpa é dele? TAMBÉM! Culpa de quem assiste e dá ibope a isso. Eu faço questão de não assistir. Se vi foi umas 2 vezes e pedaços, porque não aguentei tanta burrice humana junto.

Como dizia Pitágoras: Eduque às crianças e não será necessario castigar aos homens...


Para você que não viu a cena polemica, aonde Silvio Santos faz Maisa chorar assustada de medo do menino fantasiado (dizem que foi tudo combinado. mas nao é essa a questão):





E depois Silvio Santos na semana seguinte a faz chorar novamente relembrando o episodio anterior:




Para quem não acredita que Silvio Santos bate (mesmo que seja um tapinha, mas nem os pais devem fazer isso, imagina ele em REDE NACIONAL). Repare logo no começo que ele dá um tapa na mao dela:




Assistam no "link" abaixo a entrevista do presidente do CEDCA (Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente) a respeito do caso Maisa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Caminho da Loucura

Quase todos os seres humanos possuem uma característica típica da esquizofrenia: fazerem continuamente as mesmas coisas e ficar à espera de resultados diferentes.
Todas as pessoas querem vidas melhores, mais saúde, melhores relacionamentos, mais abundância financeira...

Mas... dia após dia fazem exatamente as mesmas coisas! À espera de um milagre. Que nunca irá acontecer! Porque são loucas... Porque acreditam que vão mudar de vida sem mudar. Porque se meditarem o suficiente serão abençoadas com milhares de coisas boas, sem necessidade de mudar o que quer que seja.

Já reparou que à sua volta, na natureza, nada permanece constante? Tudo muda continuamente. E no entanto, você... que quer mudanças na sua vida, está a espera que elas ocorram sem mudar.

Bem vindo à insanidade! A maior parte das pessoas tem um sonho e faz planos para o manifestar e medita. E acredita na Lei da Atração e até é capaz de escrever alguma coisa e esperar que as pessoas à sua volta comecem a mudar...

E nada acontece... Porque a mudança tem que começar dentro de cada um primeiro! Tudo começa com os rótulos que colocamos sobre cada experiência do nosso cotidiano. Qualquer experiência sua é sempre uma aprendizagem.

O "bom" e o "mau" é apenas um rótulo que você decide colocar. Quando sentir que a experiência merece um rótulo "negativo" aprenda, antes de colocar o rótulo, a afirmar algo como "não sei de que forma esta experiência é boa pra mim, MAS É!" Quanto mais negativo for aquilo que tenho pra dizer, mais demoro pra dizer.

É uma técnica ensinada por D. Juan, dissolver a negatividade para dar poder à divindade. Ame cada experiência se quer atrair experiências melhores. E lembre-se que jamais passará por uma experiência "dramática", a menos que esteja preparado/a para ela. "Quem vive no presente com olhos no passado descobrirá que não tem futuro."

"Insanidade é fazer repetidamente as mesmas coisas e esperar resultados diferentes." Pare de se queixar para que esse tema se dissolva. Agradeça mais! Reclame menos! Em tudo que fazes, lembra-te: O UNIVERSO NÃO É ESTÚPIDO!

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Tempo


O Tempo
(Igor Chiesse)


O tempo não pode parar
A nossas rotinas jamais possuem um cessar
Nem ao menos com a nossa modesta morte
Pois alguém nos rouba o tempo em outro lugar
O que seria o sinal de temporalidade?
Algo fulminante que não escolhe idade
Nascemos e crescemos
Envelhecemos e morremos
O ciclo não pode parar
Os olhos não permitem chorar
Pois o tempo veio e me transformara
Em alguém que jamais sonhara
O que será do tempo se o mundo acabar?
Respostas não sei , mas o tempo
Não possui um cessar...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Dia Internacional de Combate à Homofobia, 17 de maio na Praia de Ipanema



No dia em que o mundo inteiro comemorará a retirada da homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças pela OMS (17 de maio), o Rio de Janeiro realizará sua caminhada solene pelo Dia Mundial de Combate à Homofobia e pela paz. O 17 de maio fluminense será marcado por um ato pacifista, que contará com cerca de 3.000 flores que formarão a bandeira do Brasil, em memória dos assassinatos cometidos em decorrência de orientação sexual e identidade de gênero. A marcha terá a presença de diversas personalidades, como o Ministro Carlos Minc, e representantes de direitos humanos. Ela se dará na Praia de Ipanema, com início na Rua Vinícius de Moraes (concentração ás 15h) e fim na Farme de Amoedo, quando será formada a bandeira brasileira de flores. A boate 1140 (Praça Seca) será o cenário da festa que marcará o fim da manifestação.

domingo, 10 de maio de 2009


Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter.
Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente.
Sou isso hoje. Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina. E vice-versa.
Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar.
Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos.
Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil... e choro também!

(Tati Bernardi)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Olhe para os dois lados


Gastei um tempo pensando em como começar a expressar o que eu estou passando. Procurei músicas, poemas, cronicas, textos... Alguns até chegam perto, mas ainda não era aquilo...
Resolvi escrever eu então. E começo com uma conversa interna: 'O que você quer?'
Pergunta chave.
Na maioria das vezes a minha decisão era baseada no outro, no que o outro queria, no que ele não queria, no que ele sentia e no que ele não sentia. Tomar uma decisão independente era a única coisa que eu não fazia. E sempre dava errado. Sempre sofria mais por isso. Nunca sabia exatamente o porque.
Parei, pensei, pensei mais, pensei mais um pouco, pensei mais ainda... Chorei. Enxuguei as lágrimas, pensei mais um pouco, e decidi. Olhei para dentro, porque olhar para fora não era mais a solução.
Gastei tempo demais olhando para o outro e esquecendo que era p/ mim que eu tinha que olhar.
Achava que se eu olhasse para mim ia deixar de olhar para o outro, e quando na verdade, eu me perdia olhando para um lado só. É como atravessar a rua... olhe para os dois lados...

Cuidado! Não pare no meio da rua! Continue andando...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Autoestima e a Síndrome dos Três Porquinhos



Auto-estima é um assunto tão falado hoje em dia que chega a encher o saco. Dá vontade de dar um peteleco nas pessoas que viram do nada pra você e dizem: “Você precisa se gostar, ter uma auto-estima alta!”. Bom, a ouvinte, que já se acha um pano de prato ambulante, certamente tem vontade de se enfiar mesmo debaixo da pia, afinal parece tão simples se gostar e ela não consegue. Parece que é tão fácil quanto apalpar um mamão na feira ou comprar um moletom do Mickey, na Disneylândia. Mas, não é! Se gostar, enquanto a maré inteira tenta te convencer de que você não é magra o suficiente, não é linda o suficiente, não é sexy o suficiente, não é bem sucedida o suficiente... é dose! É como remar dentro de um caiaque no meio do tsunami. Na minha opinião, auto-estima é um negócio que se constrói de pouquinho, tijolo por tijolo... Não de uma vez só, na porrada.
Gosto de comparar a auto-estima à fábula dos Três Porquinhos. Às vezes, encontro mulheres com a auto-estima como a casa de palha de Cícero, o porquinho preguiçoso, completamente frágeis e, mesmo assim, arrastando trens por homens que, num simples sopro, as destroem em pedacinhos. Também encontro mulheres como a casa de madeira do porquinho Heitor, com a auto-estima média, um pouco de insegurança, um pouco de firmeza, mas mesmo assim se sabotam facilmente botando muitas coisas a perder, principalmente no amor. Basta um gesto que pareça com rejeição e pronto: é aquele drama. Foram poucas as mulheres que encontrei com a auto-estima de Prático, o porquinho inteligente. São auto-estimas trabalhadas, construídas com cimento e tijolos, praticamente inabaláveis. A má notícia é que posso contar nos dedos essas mulheres. Uma pena mesmo... Vira e mexe transito pela casa de palha, de madeira e, às vezes, de tijolo no amor.
Mas se ainda transito tanto é porque preciso construir melhor o meu gostar, o meu aceitar. A melhor forma de fazer isso é quando você está só, solteira. E a maioria das mulheres pensa exatamente o contrário, que é preciso ter um homem ao lado para se sentir amada, para sentir-se valorizada. Terrível engano. Quando estamos só temos todo o tempo do mundo para a gente, pra se reconstruir, para aumentar nosso autoconhecimento. Quando você se liberta do pavor de ficar sozinha é aí que começa o seu verdadeiro processo de se amar. Dói no começo, mas depois é bom demais. Então, que resposta você se dá? Sua auto-estima é como a casa de palha, de madeira ou de tijolos – dos Três Porquinhos? Se a resposta for a 1 e a 2, minha pergunta é: onde está a sua pá? Chega de drama e vamos botar a mão na massa!


(Gisela Rao)